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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Cultura Corporal de Movimento - parte do meu TCC


Por uma Cultura Corporal de Movimento
Para Darido e Andrade (2005), a Cultura Corporal de Movimento surgiu de uma preocupação com o que se deveria ensinar nas aulas de Educação Física, representando algo que fundamentaria a intervenção pedagógica do professor. Segundo os autores, essa concepção é a que mais se encaixa com o perfil escolar, pois a escolha dos conteúdos é contextualizada com as manifestações expressivas corporais nas aulas. (DARIDO e ANDRADE 2005)
 Os Parâmetros Curriculares Nacionais também colocaram a Educação Física Escolar como a disciplina que irá tratar da Cultura Corporal de Movimento em suas aulas, pois como componente curricular terá o objetivo de integrar os alunos à essa cultura, formando cidadãos críticos. (BRASIL, 1998)
Segundo Castellani (1988), a Cultura Corporal de Movimento constitui-se numa totalidade formada pelas diferentes práticas sociais, como a dança, o jogo, a ginástica, o esporte, que visam satisfazer as necessidade de movimento humano.

 Elementos da Cultura Corporal de Movimento
 Jogos
Para Darido e Andrade (apud Huizinga, 1980), o jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, onde é necessário as regras (estas podem ser mudadas tranquilamente), dotado de um fim, e estão presentes aspectos de alegria. O jogo apresenta maior facilidade para se trabalhar na escola, pois  Soares (1996), não são desconhecidos da criança, uma vez que a maioria já participou de jogos e brincadeiras. Os jogos não exigem espaço físico ou material sofisticado, as regras são necessárias, porém de fácil compreensão, suceptíveis a mudanças de acordo com a necessidade do ambiente. Também podem ser praticados por qualquer faixa etária, sendo prazerosos e divertidos para o participantes. (DARIDO E ANDRADE, 2005)
Como conteúdo na escola os jogos podem ser trabalhados através de pesquisas feitas pelos alunos, analisando quais os jogos que fazem parte de sua comunidade. Podem ser reproduzidas, transformadas e modificadas todas as formas de jogos conhecidas. Também devem ser vivenciadas a cooperação, solidariedade, e pluralidade cultural. (ARANTES, 1995)
2.3.2 - Esporte
Bracht (2003), define o esporte como uma ação social institucionalizada, composta por regras, e têm como forma a competição entre dois ou mais oponentes ou contra a natureza. O objetivo é por meio de comparações determinar um vencedor ou bater um recorde.
Tubino (2001) define o esporte em três dimensões:
Esporte – educação – Voltado para a escola, tem como objetivo democratizar e gerar cultura pelo movimento de expressão do indivíduo, formando um cidadão crítico e evitando a exclusão e competitividade exacerbada;
Esporte – participação – voltado para o lazer, é uma manifestação que ocorre no tempo livre e sem obrigações da vida cotidiana. Prima-se pela descontração, a diversão, o desenvolvimento pessoal e a interação social;
Esporte – performance – o propósito dessa dimensão é a vitória sobre o adversários. É exercido sobre regras universalmente preestabelecidas, e tem como tendência a ser praticado pelos talentos esportivos, caracterizando assim uma antidemocracia. (TUBINO, 2001)
Para Bracht (2003), as aulas de Educação Física devem construir uma análise tendo como base as dimensões do movimento esportivo, suas modalidade, códigos, regras, instalações e aparelhos específicos, bem como a sua relação com os meios de comunicação de massa.

Dança
A dança surgiu da necessidade do ser humano de se comunicar e expressar, sendo as primeiras danças relacionadas com a imitação, ou simulação de algo desejável à se tornar realidade (Brasileiro, 2003). No contexto escolar, a dança é incorporada à Educação Física no sentido de possibilitar a exploração da criatividade através da movimentação corporal, ampliando o vocabulário e o senso perceptivo. Segundo Brasileiro (2003), a dança permite ao aluno o pensamento crítico, conduzindo-o à participação, compreensão, desfrute e reconstrução da atuais condições de artes e cidadania.
Como conteúdo na escola, a dança pode informar as diversas manifestações da cultura como as danças rituais, sagradas, comemorativas, circulares, entre outras. Deve-se cultivar a Cultura Corporal de Movimento relacionando-a com a cultura popular, ou seja, as diferentes danças brasileiras.(BRASILEIRO, 2003)

 Ginástica
A ginástica, segundo Paoliello (1997), são movimentos naturais do homem como correr, andar, saltar, rolar, lançar, arremessar, jogos individuais e coletivo, com regras, que foram evoluindo ao longo dos tempos. Deverá ser recontextualizada e ressignificada na escola, pois através dela que se originou a Educação Física escolar (DARIDO e ANDRADE, 2005). Para Paoliello (1997), devido à grande abrangência da ginástica, um conceito único para defini-la acabaria por restringir a compreensão deste universo, que segundo o autor apresenta uma diversidade muito grande. Diante disso, Paoliello (1997) apresenta cinco grandes grupos a fim de apresentar os principais campos de atuação da ginástica. São eles:
Ginástica de condicionamento físico – caracteriza-se por toda modalidade que objetiva a aquisição ou manutenção da condição física do indivíduo normal ou atleta;
Ginástica de competição – é a reunião de todas as modalidades esportivas;
Ginásticas fisioterápicas - utiliza-se na prevenção e tratamento de doenças através do exercício físico;
Ginásticas de conscientização corporal – exercícios que visam a correção postural;
Ginástica de demostração – engloba qualquer modalidade gímnica  com o objetivo apenas de demonstração. (PAOLIELLO, 1997)  
Darido e Andrade (2005) ainda descrevem mais um campo, chamado de Ginástica laboral, onde se tem a intenção profilática no ambiente de trabalho em primeiro plano.
Como conteúdo nas aulas de Educação Física, a ginástica têm que transmitir aos alunos a percepção e as possibilidades de práticas corporais, fazendo comparação com as práticas tradicionais e modelos existentes atualmente.  As aulas podem envolver saltos e corridas, utilizando-se de aparatos como as barra de suspensão. A busca da autonomia também deve ser assegurada, para que a utilização de espaços públicos como parques, possa ser feita de uma forma consciente e segura. (PAOLIELLO, 1997)

 Lutas
Ao contrário do senso comum que se tem em relação às lutas, onde muitas vezes ela é entendida como algo desumano e violento, as artes marciais são provenientes de entidades filosóficas e espirituais, que visam o respeito mútuo, a disciplina, o auto-controle, respeito às diferenças, entre outros valores. ( SEREGATI, 2001)
Para Seregati (2001), as lutas possuem um potencial muito grande para serem trabalhadas no âmbito escolar, pois interagem sobre o praticante através da educação pelo movimento. Darido e Andrade (2005) afirmam que os alunos, após adquirirem os conhecimentos sobre lutas, devem saber diferenciar uma arte marcial de uma briga entre torcidas nos estádios ou violência gratuita. Seregati (2001) explica que as artes marciais nas escolas devem levar os alunos a reconhecerem seus papéis sociais, assumindo suas responsabilidades individuais do cotidiano.
Como conteúdo para as aulas deverão estar inclusos aspectos como as transformações das lutas, bem como o seu contexto histórico-cultural e sua filosofia. É importante ressaltar sempre o aspecto da não-violência, respeito aos colegas, diálogo para resolver os problemas, justiça e solidariedade. (SEREGATI, 2001)

 Capoeira
A capoeira se caracteriza como um conteúdo da Educação Física e possui muitas possibilidades para ser trabalhada na escola, tanto nos aspectos socioculturais (pois é uma manifestação genuinamente brasileira), quanto na sua constituição (envolve movimentos, golpes, instrumentos e ritmos) (SOUZA e OLIVEIRA, 2001).
Segundo Souza e Oliveira (2001), a capoeira é um conteúdo que pode ser contemplado na escola pelos seus múltiplos enfoque, que possibilitam a luta, a dança e a arte, o folclore, o esporte, a educação, o lazer e o jogo. Para os autores, a historicidade é um dos pontos que fundamentam a capoeira, pois está envolvida com o movimento de libertação dos negros.
Darido e Andrade (2005) explicam que a capoeira apresenta características peculiares, que a aproximam ora do jogo, ora da luta, ora do esporte, ora da dança. Nas aulas podem ser feitas pesquisas juntamente com os alunos sobre as diversas manifestaçoes que podem ter dado origem à capoeira, e a partir disso vivenciar cada uma dessas manifestações. (SOUZA e OLIVEIRA, 2001)

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